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"A tarde é a velhice do dia. Cada dia é uma pequena vida, e cada pôr do Sol uma pequena morte!" (Arthur Schopenhauer) .

dimanche 15 mai 2011

Miguel Torga...(Idílio)

foto minha (Cabo Mondego)


Idílio

Lírica, a tarde cai
Com secura nas folhas;
Lírica, a minha vista vai
A olhar o que tu olhas…

Oliveiras de sonho
A ver nascer a lua…
Liricamente ponho
A minha mão na tua.

Miguel Torga
in Diário I (1941)

Poetas Portugueses..Torquato da Luz ( O Sentido)

desenho meu

Este Poema do Torquato da Luz ..!!
Pois bem , a ser um dos meus preferidos , tanto ele fala verdade , sem rodeios , sem floriados , sem palavras dificeis..
Um Cântigo da Alma , é o que eu diria!!

O SENTIDO

Se não souberes de mim, procura-me entre as árvores,
nos campos desolados do meu país distante.
É lá que me passeio, perdido de mim mesmo,
na incessante busca do caminho.

Se não souberes de mim, procura-me nas ondas
que rebentam nas praias dos meus verdes anos.
É lá que, mergulhando no futuro,
vagueio, entre confuso e indeciso.

Se não souberes de mim, procura-me nos livros
que um dia li, mas logo abandonei,
por não me darem o sentido
da vida, que em vão busquei.

Torquato da Luz

samedi 14 mai 2011

São palavras minhas .. "Quando era feliz , e não sabia"


Quando era feliz , e não sabia


Já lá vão tantos Natais
Muitas Pascoas já passaram
Os dias a continuar iguais
Como as saudades que ficaram


Eram dias de Felicidade
Onde existia a inocência
Chama-se isso, "tenra idade"
Pouco se tinha em experiência


No céu , muitos pardais então
O Sol esse , aquecia-me o rosto
A noitinha , comia feliz o Pão
Nas ribeiras mergulhava com gosto


Só o presente era o contava
O futuro era ainda uma ilusão
Que é que afinal me interessava?
Era ser feliz , ter o meu Pião..


Que sabia eu da Existência ..?
Mesmo da Saudade , ou Solidão?
Soube mais tarde com a experiência
Que ao recordar , magoa o coração


Como um dia belo , que cedo findou..
A Existência apareceu , com crueldade
Essa a Saudade , encostou-se e ficou
Mas eu.. ? Não terei mais aquela idade


Serei agora eu , ainda capaz ?
Conseguirei eu , voltar aquele dia ?
Regressar lá muito , muito atrás..
Quando era feliz..e não sabia!!

Fernando1/5/2011

lundi 25 avril 2011

Poétisas.. a Paula "a Noite.."

foto minha
a Noite..
a noite um silencio de saudade..
somos apenas duas almas
somos o sol e a lua
o inverso do dia e da noite
e somos tao parecidos..mais,
teu sorriso e teu olhar faz-me voar , tao longe..longe...
Paula

Poetas Portugueses..Fernando Pessoa (só)

foto minha


só..

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

(Fernando pessoa)

Poetas Portugueses..Manuel Alegre(Trova do Vento que Passa)

foto tirada da Net

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre